Cognominada de Ilha Azul, título que lhe foi grangeado pela cor das hortênsias que crescem em toda a sua pujança por ravinas e socalcos, a ilha do Faial, parece ser um prolongamento do mar que se une à abóbada da mesma cor, num matizado de manto etéreo que fascina e seduz.
Outrora intitulada também por Ilha da Ventura ou Ilha de S. Luís, o Faial, exibe-se em frente à montanha do Pico que o defende e abriga dos açoites dos ciclones que frequentemente visitam aquelas paragens.
Senhora elegante e de bom porte, a ilha orgulha-se de ter a marina mais colorida e mais frequentada do mundo. Os muitos iates que a visitam anualmente deixam no cais em pinturas mais ou menos simbólicas, o seu cunho amistoso que afirma a sua predilecção pelas belezas da ilha e pela hospitalidade das suas gentes.
Ao seu formato de pentágono irregular, hoje um tanto ou quanto deformado pela silhueta do Vulcão dos Capelinhos, o Morro da freguesia de Castelo Branco dá-lhe o aspecto de tartaruga gigante boiando sobre as ondas. A freguesia do mesmo nome, com a sua baía acolhedora e vivendas de Verão que se estendem ao longo da colina adjacente, oferece porto seguro aos barquinhos multicolores dos veraneantes e dos pescadores da costa que, procuram encontrar uns momentos para, num salto, subirem a encosta rochosa e saborearem uma dose de polvo guisado ou o "molho afonso" feito de lapas fresquinhas, prato que, por ser tão bem temperado, é sempre servido com o bom vinho dos restaurantes locais. As águas termais do Varadouro, bem conhecidas pelas suas qualidades medicinais são frequentemente procuradas por gentes de todas as ilhas.
O vulcão dos Capelinhos, que há cinquenta anos engoliu o Porto do Comprido, na freguesia do Capelo, e soterrou casas e igrejas, transformou a ilha e a vida dos habitantes de todas as ilhas do arquipélago que, deixando atrás lares e haveres soterrados ou destruídos pela violência dos suas frequentes erupções, partiram mundo fora levando a ilha no coração e a sua açorianidade, aos quatro cantos do mundo.
A metropolitana cidade da Horta, apresenta-se altiva, aconchegada nos braços da Eapalamaca e do Monte Queimado, num abraço marisqueiro que acolhe os iatistas e veleiros, que encontram na marina um oásis de paz temperado pelos gins do Café Sport, que os acarinha como se fossem velhos amigos. Estendida ao longo da baía, a Horta sofreu durante séculos os ataques e saqueamentos de piratas e corsários que destruíam casas e edifícios religiosos. Graças à sua situação estratégica, através dos anos, a Horta desenvolveu-se como porto de escala e reabastecimento de carvão aos navios a vapor, beneficiando ainda da instalação dos cabos submarinos. No século passado serviu de pano de fundo à paisagem que os anfíbios admiravam ao amarizar na baía.
Nesta cidade encantadora onde a esperança floresce e o romance desperta nos jardins piturescos que adornam o Largo do Infante, a Praça da República e a Avenida Marginal, reina a tranquilidade inerente aos sítios pequenos, que na Semana do Mar se transforma numa energia contagiante para as gentes do Faial, das outras ilhas, do continente e até do estrangeiro.
Quatro milhas de canal unem a cidade da Horta à pituresca Vila da Madalena, na fronteira ilha do Pico, onde alguns dos residentes vão na hora do almoço deliciar o palato com os petiscos e vinhos picoenses e usufruir o cheiro a maresia numa viagem curta e salutar que os predispõe para a segunda parte do dia de trabalho.
As praias de areia cinzenta especialmente a do Almoxarife e a de Porto Pim, circunvizinhas à cidade, são mais uma das muitas atracções que oferecem aos visitantes momentos de lazer e paz. Do promontório da Espalamaca, a estátua da Senhora da Conceição ergue-se como mãe vigilante que envia a sua benção aos filhos e filhas que prosseguem o seu labor quotidiano, sem se aperceberem da presença constante da Virgem protectora. Do alto da Guia a Capelinha alvinitente é marco para tantos lobos do mar que recorrem à Senhora em horas de angústia ou em noites de temporal. Na base do monte a Praia de Porto Pim estende-se convidando jovens e menos jovens a um banho de mar ou sol.
Subir a Estrada da Caldeira num passeio a pé ou a cavalo é deleitar a vista com os tons matizados das hortênsias que ladeiam a estrada e cobrem as colinas e outeiros, numa trilogia etérea de azul de terra, mar e céu, que fascina e deixa a impressão de termos visitado um cantinho do paraíso.